Manuel D'Assumpção
(1926-1969)

BIOGRAFIA:
Manuel Trindade D'Assumpção nasceu e morreu em Lisboa. Iniciou
a sua aprendizagem artística com seu pai e com o pintor Manuel Barrias. Em 1947 partiu
para Paris, onde estudou com Fernand Léger, tendo estudado depois História da Arte com
Jean Cassou. Conheceu Atlan e Hains, pintores líricos, antes de voltar para Lisboa, onde
contactou com António Maria Lisboa, cuja morte, em 1953, muito o impressiona. Isola-se em
Portalegre, onde realizou para um café local um quadro, "Último Bailado" -
Homenagem a Paul Éluard (1955), depois de numerosos quadros surrealistas, que
desapareceram. Em 1958 regressa a Lisboa, disposto a expor, como acontece no Salão de
Outono da S.N.B.A., onde imediatamente atrai as atenções do público mais esclarecido;
ainda no mesmo ano é premiado em Vila Real, sendo-lhe adquirido um quadro para o Museu de
Arte Contemporânea. Agradecido a Diogo de Macedo, D'Assumpção oferece outro quadro ao
Museu.
A sua pintura de 1958 apresenta grandes arquitecturas abstractas retalhadas, onde os
contrastes de cores e de valores luminosos sugerem dinamicamente uma profundidade pura.
Trata-se, numa primeira aproximação, de uma pintura cujo espaço ambíguo está próximo
do da pintura da Escola de Paris, nomeadamente a de Alfred Mannessier e a de Bertholle,
não sendo porém alheia a uma ambição surrealista de um Paalen. Em breve esta ambição
do surreal leva D'Assumpção a conjugar estas arquitecturas com grandes figuras
transparentes de intenção cabalística ou com sugestões de esferas e planos dinâmicos,
em alusão simbólica ao cosmos. Alguns títulos são indicativos desta ambição
poética: Génesis (1958), Mística (1958), Espaço-Deus (l960), etc.
Em várias declarações, o próprio D'Assumpção não se considerava um artista, mas um
médium. Em 1950, escreveu: "Quem disser que eu sou um artista está enganado. A
pintura que faço não é minha, mas obra de um enorme Deus, que eu não vejo e que
raramente cai em mim." Mais tarde, dizia aos seus amigos: "Pense bem, não é
artista quem quer, embora todos tenham a liberdade de o querer; só é artista quem
e'."
Inegavelmente bem apetrechado tecnicamente e vivendo quotidianamente o desespero da sua
ambição criadora, D'Assumpção impressionou fortemente alguns pintores e poetas, mas o
seu convívio difícil aumentou a sua solidão. Em 1969 suicidou-se.
Em 1958, D'Assumpção conquistou rapidamente um núcleo de admiradores apresentando, num
salão colectivo da sociedade de Belas-Artes, o quadro intitulado Génesis, que o critico
José Augusto França imediatamente fez reproduzir num artigo elogioso no Diário de
Noticias. Em Preto e Branco a construção espacial assume intenções de simbolismo
cósmico.
A OBRA:
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